29/12/2011

agente duplo

Ou: da difícil arte de defender o interesse do empresário e do artista. Percebam que não usei OU, e sim E. Pois é... colocar o artista nos eixos é tão difícil quanto colocar o empresário que o contrata nos eixos. Talvez fosse fácil se eu não fosse artista também... ou se eu não estivesse trabalhando para o empresário.

A questão é que eu sempre, SEMPRE, engrossarei para a parte que estiver abusando – seja o artista, seja o empresário. Não consegue trabalhar com isso? Simples: me avise que caio fora! Não admito abuso de nenhum dos lados; isso se chama ser justa.

Ser empresário é fácil? Não... muito menos nesse nosso país, cheio de regras-leis e impostos inúteis, e totalmente vazio de incentivos. É matar um leão por dia! O problema é que muitos empresários não conseguem entender que, se a vida deles é difícil, a vida de um artista consegue ser pior! É matar uma dúzia de leões por dia!

Vejamos meu caso: 11 anos de dança do ventre, 5 anos de flamenco, 2 anos de teatro, sei lá quantos anos de balé, cursos de TV... Sabe quanto eu gastei até hoje para ter a formação artística que tenho, incluindo cursos, instrumentos, acessórios, roupas, etc? Não sabe? Nem eu!

Um bom advogado cobra quanto por hora? Um bom médico? Até um cabeleireiro badalado ganha mais por hora do que alguém que passou 20 anos de sua vida estudando balé ou piano! Alguém pede pro seu cardiologista fazer consulta gratuita para divulgar seu trabalho? Alguém chega no seu advogado e leva mais 10 pessoas pra receber consultoria gratuita? Pois é...

14/12/2011

outra

Estes dias tem acontecido de eu me deparar com imagens que dizem exatamente o que eu diria, em poucas palavras.

Mais uma:

08/12/2011

amor, incondicional

Eu tinha esquecido como é bom amar tão profundamente, sentir, desejar, realizar-se... Por diversos e variados motivos, havia me afastado desse amor incondicional que me faz tão feliz e, até há pouco tempo atrás, não havia encontrado o caminho de volta.

Então nos reencontramos, voltamos a nos relacionar, recomeçamos uma relação linda... aos pouquinhos nos reaproximamos. Uma saída aqui, outra ali... e, de repente, não conseguíamos mais nos largar. DE NOVO. Vivemos assim, anos e anos de indas e vindas, encontros e desencontros, ânimos e desânimos...

AMOR, do mais puro e verdadeiro. Uma paixão qualquer teria passado... essa já dura bem mais de uma década! Não vivo sem, não consigo ser feliz sem, não sei ser completa e realizada sem... Não existo sem.

Daí você se pergunta: quem é ele? Respondo: ela! Sim, ela. O nome particular dela é DANÇA, o nome geral é ARTE. Quer me ver feliz? Coloque-me abraçada a ela!

Para agradar aos outros, tentei me convencer de que o certo seria vida acadêmica e concurso público... E estas são coisas que me fazem sentir tão vazia quanto o vácuo, tão feliz quanto alguém que descobre estar com câncer!

Minha maior felicidade, hoje, é ter contato com pessoas que sentem esse amor inexplicável como eu, que sentem-se mais felizes fazendo sua arte do que fazendo qualquer outra coisa... Sou uma privilegiada por estar, hoje, desenvolvendo meu trabalho em conjunto com alguém que tem o mesmo amor que eu...

Ouvi de um judeu muito querido, há pouco tempo, que devia escolher uma coisa para fazer bem, pois não dá para fazer duas coisas muito bem ao mesmo tempo... (na ocasião, falávamos sobre arte e estudos). Pouco tempo depois, encontrei minha irmã mais nova, assim, por acaso... e começamos a trabalhar juntas. Preciso dizer que estou muito feliz e que a escolha foi feita?...

07/12/2011

aprendizado

Neste fim de ano, cuidado com os exageros! O aprendizado pode acabar sendo muito maior do que você gostaria... ou não?


06/12/2011

absurdo

Projeto de lei em tramitação no Congresso pretende combater o aborto em gestações resultantes de estupro - prática permitida no Brasil desde o Código Penal de 1940 - com base em um pagamento pelo Estado de um salário mínimo para a mulher durante 18 anos. A idéia, conhecida como "bolsa-estupro", pretende, nas palavras de um dos autores do texto, o deputado Henrique Afonso (PT-AC), "dar estímulo financeiro para a mulher ter o filho".

A idéia de subsídio para grávidas vítimas de violência sexual está também no projeto do Estatuto do Nascituro - texto que torna proibido no País o aborto em todos os casos, as pesquisas com células-tronco, o congelamento de embriões e até mesmo as técnicas de reprodução assistida, oferecendo às mulheres com dificuldades para engravidar apenas a opção da adoção.

Os textos provocaram enxurrada de reclamações e protestos de organizações não-governamentais ligadas aos direitos humanos, aos movimentos feministas e até mesmo em esferas governamentais. Ontem, o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher divulgou carta afirmando que as propostas são um retrocesso nos direitos já obtidos no País. "É retrocesso, uma proposta sem cabimento, equivocada desde o começo. Trata a violência contra a mulher como monetária, como se resolvesse dando um apoio financeiro. Nós apoiamos a liberdade de escolha da mulher", afirma a ministra Nilcéa Freire, da Secretaria Especial de Políticas para Mulheres.

"O aborto, para nós evangélicos, é um ato contra a vida em todos os casos, não importa se a mulher corre risco ou se foi estuprada", afirma o deputado Henrique Afonso. "Essa questão do Estado laico é muito debatida, tem gente que me diz que eu não devo legislar como cristão, mas é nisso que eu acredito e faço o que Deus manda, não consigo imaginar separar as duas coisas."

A proposta do deputado inclui ainda outro item bastante polêmico, que prevê que psicólogos, pagos pelo Estado, devam atender essas mulheres para convencê-las da importância da vida, fazendo com que elas desistam do aborto. "O psicólogo comprometido com a doutrina cristã deve influenciar a mulher e fazer com que ela mude de opinião", defende Afonso. No entanto, o Código de Ética da profissão proíbe ao psicólogo, no exercício de suas funções, "induzir a convicções políticas, filosóficas, morais, ideológicas, religiosas, de orientação sexual".

REAÇÕES

"Há uma dificuldade em compreender que o Estado democrático surge para assegurar a liberdade de crença da população. Há uma confusão no entendimento de alguns parlamentares entre direito e moral, entre religião e política pública", afirma a advogada Samantha Buglione, do Instituto Antígona e das Jornadas Pelo Direito de Decidir.

"Desse modo, propostas como essas corrompem toda a estrutura legal que nós temos, pois pretendem impor uma determinada crença, um pensamento único, baseado numa moral", complementa.

A jurista Silvia Pimentel, professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e vice-presidente da Comissão das Nações Unidas para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra Mulheres, realça o caráter de troca da proposta, de pagamento financeiro num contexto de miséria de boa parte da população. "É lamentável que mais uma vez nossos parlamentares estejam se ocupando de questões sérias de maneira esdrúxula. Adoraria perguntar a eles se gastam tanta energia e dedicação à implantação efetiva do Estatuto da Criança e do Adolescente."

"Não é a proteção da maternidade, senão todas as grávidas receberiam. Nem compensação para vítima de violência sexual, pois senão todas também receberiam. É perverso propor oferecer dinheiro para mulheres aderirem a uma tese. Porque é uma tese que eles colocam", diz a antropóloga Débora Diniz, da Universidade de Brasília (UnB).




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***a notícia pode ser lida na íntegra AQUI

*** só tenho uma palavra para definir esse projeto: ABSURDO!!! Em minha opinião, é completamente surreal algo assim... Entendi certo? Então em vez de combater a violência contra a mulher, o que se pretende é violentá-la ainda mais, retirando-lhe o direito de escolha? Que mundo é esse?!?

?

Só tenho vontade de conversar sobre certas coisas com uma única pessoa – o problema é que não falo mais com essa pessoa. Então?...

A saída é sentir-se uma fraude? Às vezes, me sinto uma enorme fraude! Não que eu não seja tudo o que mostro para as pessoas. Eu sou! Sou, também. A questão é que há uma enorme parte de mim que não mostro. Simplesmente silencio. Talvez não devesse silenciar... Talvez seja exatamente isso – o silêncio – que me faz mal... Ou talvez seja esperar que as pessoas percebam a parte silenciada o que me faz decepcionar-me com elas...

Não, nada disso. Nunca me decepcionei com alguém que recebeu meu silêncio, minha cara de paisagem, minha máscara de “está tudo bem”. Por que me decepcionaria? Deveria esperar que as pessoas tivessem bolas de cristal? Tenho vários e incontáveis defeitos, mas esquizofrenia não é um deles...rs...

Decepção é algo que só acontece quando você se doa, se abre, se disponibiliza... Se doar é um ato unilateral, mas há quem não se decepcione com a falta de disponibilidade alheia quando houve doação? Se abrir é uma escolha íntima, mas há quem não se decepcione ao receber de volta atenção zero quando a necessidade é distante do número zero? Ok, seres humanos... Mas o ser humano precisa mesmo cultivar egocentrismo e manter-se desprovido de empatia?

Poderia culpar o inferno astral por essas reflexões... Porém, o mais provável é que eu esteja pensando tanto, em tantas coisas, por proximidade... Não porque meu aniversário está chegando, sim porque alguém que gosto demais está aqui estes dias... e preciso esconder dela meu inconformismo! Já falei rapidamente sobre isso aqui, mas a verdade é que não consigo achar justo o que ela está passando...

Não é nem um pouco fácil sorrir e abraçar alguém, falar besteiras para distrair... quando sua vontade é, no mínimo, xingar todos os deuses do mundo e, no máximo, apertar forte a pessoa e chorar por inconformismo. E aí escondo dela, justificadamente, isso tudo... e a única pessoa com quem eu gostaria de falar sobre isso e outras coisas é uma interrogação perdida no espaço-tempo.

04/12/2011

era uma vez

Era uma vez...

O quê mesmo?

Era uma vez tanta coisa que não caberia em poucas linhas. Últimos dias do ano e o fato indiscutível é que 2011 poderia ser descrito pela expressão “era uma vez”...

Era uma vez um buquê de girassóis que recebi estes dias e que tenho vontade de vê-los voando pela janela... Girassóis voadores! Alados, talvez? Ou apenas lindas flores que nada mais representam, exceto a ponta de um iceberg maior do que aquele que afundou o Titanic? Não sei ao certo... era uma vez.

Falar de flores quando elas são um NADA em meio ao TUDO significa?...

Era uma vez um casal feliz... até o dia em que o marido dela veio tentar me agarrar dizendo que eu era a única amiga dela que o atraía? Ou era uma vez um casal inexistente, com monogamia unilateral e nariz de palhaço esperando para ser usado por uma das partes?

Era uma vez alguém que eu amava incondicionalmente e admirava... e hoje tenho vontade de vomitar ao falar com ele? Ou era uma vez alguém muito míope que não o enxergava como ele era? Aliás, pensando melhor... era uma vez uma loira – eu! – que precisava urgentemente de um oftalmologista para avaliar seu elevado grau de miopia e recomendar uma cirurgia corretiva?

Falando das besteiras para encobrir o “era uma vez”... os planos desfeitos... as crenças descrentes... as confianças quebradas... as esperanças desesperantes... Era uma vez alguém que tenta sempre manter o bom humor e rir das próprias desgraças, mas que foi atropelada por um 2011 que já vai tarde! Era uma vez alguém que se fosse suicida, em vez de ficar rindo de si mesma, estaria voando junto com os girassóis pela janela...